O vai-e-vem do algoritmo
Rodrigo Nascimento
Jornalista – diretor de conteúdo da Nascimento Marketing de Conteúdo e Mídias
Poucas palavras passaram a explicar tanta coisa no nosso tempo quanto “algoritmo”. Quando um vídeo viraliza, quando uma postagem não alcança ninguém ou quando uma marca cresce rapidamente nas redes, a justificativa costuma aparecer quase de forma automática. Foi o algoritmo.
A verdade é que incorporamos essa palavra ao cotidiano como uma espécie de explicação para a dinâmica da comunicação digital. E, gostemos ou não, ela passou a ter impacto direto também na vida real. Há quem diga, inclusive, que essa distinção já nem faz mais sentido. Não existe mundo virtual e mundo real. Existe apenas mundo, em um fluxo permanente de idas e vindas das telas para as calçadas.
O fato é que estamos cada vez mais vinculados aos códigos de programação que organizam o funcionamento das redes e plataformas digitais. São esses sistemas que distribuem conteúdos, determinam alcance e influenciam comportamentos on-line. E eles mudam o tempo todo.
Não é segredo, e tampouco deve ser desconhecido, que esses serviços são negócios. E, como todo negócio, precisam dar lucro. A teoria clássica da administração já estabelecia que o lucro é o teste de validade de uma atividade econômica. No caso das plataformas digitais, essa lógica se materializa nas empresas que estão por trás de Facebook, Instagram, X e TikTok. Nesse ambiente, o algoritmo acaba funcionando como um grande maestro invisível que define visibilidade e desempenho.
Nem sempre quem espera bons resultados digitais compreende esse vai-e-vem permanente de códigos, métricas e parâmetros técnicos. Muitas vezes essa responsabilidade é direcionada às equipes de marketing, e não há nada de errado nisso. Trata-se de uma atribuição profissional. O desafio está justamente em acompanhar esse ritmo de transformação. Assim como ocorre em áreas como o direito, a contabilidade ou a medicina, que passam por processos constantes de atualização, a comunicação profissional também exige estudo permanente. Mais do que produzir conteúdo, é preciso compreender as mudanças tecnológicas e traduzir esses movimentos em resultados concretos para marcas e negócios.
O algoritmo muda porque o negócio por trás dele precisa evoluir. Quem trabalha com comunicação profissional sabe disso. E sabe também que por trás de cada postagem, vídeo ou campanha existe algo que nenhum código substitui: estudo, estratégia e trabalho sério. Algoritmo muda; profissionalismo permanece.