Muito além do virtual: o marketing multissensorial

Marco Aurélio Henz
Publicitário e Designer – Time Nascimento Marketing de Conteúdo e Mídias
A marca não é apenas uma representação visual, mas também auditiva, olfativa, degustativa e multissensorial. Ela se constitui a partir da interação com o público-alvo, seja ele jovem, adulto ou sênior. No universo do marketing, enfrentamos constantemente o desafio de construir e desconstruir nossa imagem para atender às diferentes demandas do mercado.
Em tempos de economia conturbada, como os que vivemos atualmente, com alta nos preços e conflitos geopolíticos ao redor do mundo, torna-se cada vez mais desafiador desenvolver e promover produtos de nichos específicos, visando torná-los mais atrativos ao público-alvo. Nesse cenário, grandes marcas buscam explorar estratégias de co-branding, resultando em parcerias inusitadas, porém interessantes. Um exemplo é a Volkswagen, com o novo Polo 2025 edição Rock in Rio — uma edição especial criada em parceria com o festival de música mais popular do Brasil, unindo a paixão do brasileiro por automóveis e música.
Assim como em edições anteriores, a montadora alemã promove a divulgação de seus produtos em um estande no parque onde o evento ocorre. Nesse espaço, o consumidor pode interagir com os automóveis, conhecendo suas tecnologias e explorando sua proposta urbana ou off-road, criando uma experiência imersiva e única, proposta pela marca.
É inevitável para o frequentador do Rock in Rio fazer a conexão entre música e transporte, considerando que muitos de nós passamos horas dentro de um automóvel, seja para ir ao trabalho ou em passeios de fim de semana. Para o consumidor, isso gera uma imediata sensação de valor e pertencimento à marca — no caso, a Volkswagen —, pois, ao sentir-se acolhido, ele se vê como parte dessa história.
E o que acontece quando a marca tem como maior propósito conectar seus produtos à sustentabilidade e à biodiversidade brasileira? A Natura, por exemplo, há décadas desenvolve e aprimora seus produtos. Muito além de oferecer produtos de qualidade, a empresa há mais de uma década foca parte de sua linha em ingredientes oriundos da flora brasileira, extraindo o que há de melhor nas nossas riquezas naturais. Isso faz da Natura uma empresa que valoriza e se orgulha da biodiversidade do país.
Lembra quando citei anteriormente as experiências olfativas e multissensoriais de determinadas marcas? Pois bem, seguindo essa linha, a Natura tem investido continuamente na abertura de lojas físicas no Brasil, proporcionando aos seus consumidores experiências ainda mais ricas, antes restritas ao varejo online ou à venda por consultores. O contato direto com o produto na loja física facilita a compra imediata e atrai novos consumidores que até então não conheciam a marca, fortalecendo a estratégia de conciliar o modelo tradicional de vendas porta a porta com o mercado virtual, por meio do site oficial.
De certa forma, podemos considerar uma marca como um ser vivo, principalmente as que já estão consolidadas e presentes em nosso cotidiano por gerações. O discurso de uma marca vai muito além do racional — ele é emocional. Não se trata apenas do ato de consumir. Seja Volkswagen, Natura ou outra de sua preferência, toda estratégia de comunicação dessas marcas deve ser cuidadosamente planejada e observada para que nós, consumidores, sejamos conquistados e nos tornemos fiéis ao público. Antes de nos sentirmos parte da marca que nos cativou, ela tem o papel de se adaptar aos nossos gostos e preferências, pois somos a voz desse universo do marketing, que nunca para de inovar e se reinventar.